31 outubro 2012

 Filme de Torquato Joel – inédito na Paraíba - será lançado hoje no Centro Cultural BNB Sousa

“Ousadia, trabalho coletivo e pleno domínio da técnica são características do sousense Torquato Joel” que terá sua mais recente obra lançada na Cidade Sorriso.

Com fotografia de Bruno de Sales, Ikó-Eté, o mais recente trabalho do diretor de “Transubstancial” e “Passadouro” foi concebido a partir da realidade social dos remanescentes dos índios potiguaras que já habitaram boa parte do território que se estende do litoral norte da Paraíba até a faixa leste do litoral cearense.

O curta-metragem foi realizado na Aldeia Tracoeiras, no município de Baia da Traição, com a participação e colaboração dos próprios remanescentes dos potiguaras que hoje vivem em casa de taipa, em sua maioria, tendo perdido parte significativa dos seus hábitos e costumes ancestrais.

A palavra ikó-eté significa honra em tupi e é a partir dessa expressão que o personagem central, interpretado por um índio habitante de Tracoeiras, é acometido de um “surto” de revolta e empreende uma jornada solitária em busca de sua dignidade.

O curta é inédito na Paraíba já tendo sido exibido no Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, a maior vitrine do cinema de curta duração da America Latina, e tem exibição prevista para o Festival Janela Internacional que acontece em Recife nos próximos dias.

Filme produzido em Nazarezinho-PB e premiado no Festival Internacional de Curtas de São Paulo também será exibido

Além de Ikó-eté também será exibido Fogo-Pagou o curta metragem de estréia de Ramon Batista que vem recebendo vários prêmios em festivais de cinema no Brasil como aconteceu em São Paulo((como o Prêmio Itamaraty) e em Campina Grande(no Festival Comunicurtas). O filme trata das histórias contadas pelos
moradores  a respeito de um cemitério abandonado num sitio de Nazarezinho.

Uma noite para a celebração do novo cinema paraibano.

Boa sessão!

05 setembro 2012

E o prêmio Comunicurtas 2012 foi para...

Após uma semana de intensas atividades, com exibição de filmes, oficinas, exposições e homenagens, a sétima edição do Festival Audiovisual Comunicurtas foi encerrada na noite deste sábado (01 de setembro), com a entrega dos prêmios aos melhores filmes das mostras competitivas do festival.

A premiação começou com a entrega do prêmio Luiz Custódio de Folkcom. O principal prêmio da noite, o Especial do Júri, nas categorias “Mostra Brasil” e “Mostra Tropeiros, foi entregue aos filmes “Quando morremos à noite”, de Eduardo Morotó, e “Fogo Pagou”, de Ramom Batista, natural de Nazarezinho-PB, cujo filme foi selecionado pelo prêmio de roteiros do JABRE.

Ainda foram premiados os trabalhos:
• “O som do abio”,
• “Nêgo”,
• “Hemprocrisy”,
• “Jogo de olhar”
• “Três”
• “Jus”
• “O reino encantado de Caiana”,
• “Zed is Dead”,
• “Dog em cheirinho baum”,
• “Dona Mariááá”,
• “Dique”,
• “Parede branca do que poderia ser”,
• “A noite dos palhaços mudos”,
• “Tradicionalíssima”,
• “Cadê meu rango?”,
• “Testemunhos”,
• “Ato Institucional”,
• “A liga teaser/A liga”
• “Bota abaixo”

Nas demais categorias os premiados foram “A Rainha da Borborema abre os braços para o Rei do Baião” (TV Paraíba/TV Cabo Branco), “Quadro Gente Viva: Mestre Clóvis, o bonequeiro” (TV Paraíba/TV Cabo Branco), “Série Caminhos da Esperança: a seca sustentável” (TV Paraíba/TV Cabo Branco), “Torcedores Maiorais” (TV Itararé), “XVI Salão do Artesanato” (Agência Sin), “Balão” (Agência Dabliu A).

Prêmio Beth Formaggini

Na noite da sexta-feira, 31 de agosto, o Festival Comunicurtas prestou uma homenagem a documentarista, roteirista e diretora Beth Formaggini. Batizada de “madrinha do Comunicurtas”, Beth Formaggini ainda foi homenageada com a instituição de um prêmio que leva seu nome, como forma de reconhecimento pelo conjunto de obras que ela já produziu. O “Prêmio Beth Formaggini de Pesquisa” fará parte do Comunicurtas a partir da próxima edição do festival e premiará as produções que mais se destacarem.

Presença no Comunicurtas desde a segunda edição, onde já ministrou várias oficinas, Beth Formaggini subiu ao palco para receber o prêmio ao som de forró pé de serra. A emoção da documentarista era visível. Com o troféu na mão, ela agradeceu a homenagem e elogiou o nível de excelência do Comunicurtas que há cada ano tem crescido, tornando-se vitrine para cineastas locais e nacionais. “Esse festival para mim é um xodó. Estou muito feliz em estar aqui de novo, agora para receber essa homenagem. O vi crescendo e tenho ficado impressionada com a qualidade dos filmes produzidos na Paraíba”, comentou.

Na visão de Beth, Campina Grande já se tornou um polo de produção de audiovisual, tendo revelado vários cineastas, produtores, atores, diretores, técnicos e roteiristas. Ela citou como exemplo o filme “Tudo que Deus Criou”, o primeiro longa rodado na cidade, sob a direção de André Costa Pinto.

Emocionada, a documentarista dedicou a homenagem ao amigo Aurélio Dias, que trabalhou com ela em vários filmes como editor de som, tendo falecido esta semana. Ela fez questão de enfatizar que cinema é trabalho de equipe, cujo resultado é projetado na tela. Beth Formaggin disse que se sentia muito honrada pela homenagem e revelou ser apaixonada pela Paraíba, reafirmando estar feliz por fazer parte da história do Comunicurtas.

Idealizador do Comunicurtas, André Costa Pinto afirmou que a homenagem foi um reconhecimento ao que Beth já fez pelo cinema e, em especial, pelo Festival de Audiovisual de Campina Grande. “Ela tem toda uma importância para o cinema nacional, dentro da pesquisa para documentários, e desde o início do Comunicurtas ela vem nos incentivando, ministrando inclusive oficinas gratuitas”, comentou.

25 agosto 2012

FILME DE GODARD ENCERRA MOSTRA DE CINEMA FRANCÊS EM SOUSA


Basta abrir os jornais brasileiros para perceber que este mês de agosto tem sido marcado pela presença do cinema francês no Brasil. 33 grandes cidades, de Porto Alegre à Belém estão projetando filmes dentro do Festival Varilux.

A Sétima Arte francesa também chegou à Sousa com clássicos de renomados diretores como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Chabrol, Louis Malle e Roger Vadim.

Nesta próxima quarta-feira, dia 29, será exibido Acossado, o primeiro filme de Jean-Luc Godard. Até mesmo quem não tem interesse em cinema já ouviu falar desse nome. Por exemplo, na letra da música “Eduardo e Mônica” da banda Legião Urbana que diz ”o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard”.

O filme que será exibido em no Centro Cultural BNB Sousa é com certeza uma das obras mais comentadas de todos os tempos. Podemos afirmar, sem exagero, que Acossado permanece “até hoje como um marco na história da cinematografia mundial, tão significativo e revolucionário quanto “Cidadão Kane” em sua respectiva época”.

BATE-PAPO COM CONVIDADOS DO CINECLUBE WALTER CARVALHO

Ao final de cada filme, a platéia se reúne para tomar um café e conversar sobre o filme que acabou de assistir, o diretor e sua importância dentro da Nouvelle Vague (com mediação de Rosana Costa, Sérgio Silveira, Silas Marçal e Tadeu Figueiredo).

Toda esta programação compõe a Mostra “Nouvelle Vague: cenas de uma revolução cinematográfica”. O movimento chamado Nouvelle Vague surgiu na França na década de 1950 e até hoje, é celebrado no mundo todo pela revolução artística que provocou.

A mostra foi aberta com o longa metragem “E Deus criou a mulher” que mostra a beleza e a provocação de Brigitte Bardot vivendo uma personagem que, na época foi censurada em vários países, inclusive no Brasil pela liberdade e auto afirmação que o diretor do filme conferia à mulher. Na seqüência vieram os filmes de Claude Chabrol(Nas garras do vício) e do não menos polêmico: Louis Malle com o longa Os amantes. De François Truffaut, o líder da mudança, conhecido como “cineasta do amor” foi exibido OS INCOMPREENDIDOS, vencedor do Festival de Cannes.

Os filmes, exibidos sempre às quartas-feiras, proporcionam - aos interessados em cinema em Sousa e região - uma noção da força e o do ideário do movimento dos jovens cineastas franceses que escreveram para a revista Cahiers du Cinéma antes de se tornarem diretores.

A todos, merci, e façam como a Mônica do Eduardo: venham “ver o filme do Godard” no escurinho do cinema do Centro Cultural BNB em alto e bom som, gratuitamente.

FILME DE GODARD ENCERRA MOSTRA DE CINEMA FRANCÊS EM SOUSA

Agosto é o mês do cinema francês no Brasil. Neste mês, 33 grandes cidades, de Porto Alegre à Belém estão projetando filmes dentro do comentado Festival Varilux.

A Sétima Arte francesa também chegou à Sousa com clássicos de renomados diretores como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Chabrol, Louis Malle e Roger Vadim.

Nesta próxima quarta-feira, dia 29, será exibido Acossado, o primeiro filme de Jean-Luc Godard. Até mesmo quem não tem interesse em cinema já ouviu falar desse nome. Por exemplo, na letra da música “Eduardo e Mônica” da banda Legião Urbana que diz ”o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard”.

O filme que será exibido em no Centro Cultural BNB Sousa é com certeza uma das obras mais comentadas de todos os tempos. Podemos afirmar, sem exagero, que Acossado permanece “até hoje como um marco na história da cinematografia mundial, tão significativo e revolucionário quanto “Cidadão Kane” em sua respectiva época”.

BATE-PAPO COM CONVIDADOS DO CINECLUBE WALTER CARVALHO

Ao final de cada filme, a platéia se reúne para tomar um café e conversar sobre o filme que acabou de assistir, o diretor e sua importância dentro da Nouvelle Vague (com mediação de Rosana Costa, Sérgio Silveira,  Silas Marçal e Tadeu Figueiredo). 

Toda esta programação compõe a Mostra “Nouvelle Vague: cenas de uma revolução cinematográfica”. O movimento chamado Nouvelle Vague surgiu na França na década de 1950 e até hoje, é celebrado no mundo todo pela revolução artística que provocou.  

A mostra foi aberta com o longa metragem “E Deus criou a mulher” que mostra a beleza e a provocação de Brigitte Bardot vivendo uma personagem que, na época foi censurada em vários países, inclusive no Brasil pela liberdade e auto afirmação que o diretor do filme conferia à mulher. Na seqüência vieram os filmes de Claude Chabrol(Nas garras do vício) e do não menos polêmico: Louis Malle com o longa Os amantes. De François Truffaut, o líder da mudança, conhecido como “cineasta do amor” foi exibido OS INCOMPREENDIDOS, vencedor do Festival de Cannes.

Os filmes, exibidos sempre às quartas-feiras, proporcionam - aos interessados em cinema em Sousa e região - uma noção da força e o do ideário do movimento dos jovens cineastas franceses que escreveram para a revista Cahiers du Cinéma antes de se tornarem diretores. 

A todos, merci, e façam como a Mônica do Eduardo: venham “ver o filme do Godard” no escurinho do cinema do Centro Cultural BNB em alto e bom som, gratuitamente.

27 abril 2012

Neste domingo, Corra para a sessão do Cineclube Walter Carvalho no CCBNB Sousa


A próxima sessão do Cineclube Walter Carvalho será dedicada ao “narrador ambicioso do cinema alemão” com a exibição de Corra Lola, Corra no auditório do Centro Cultural Banco do Nordeste Sousa.
  
Os apreciadores do cinema de Tom Tykwer já sabem o que se encontra em seus filmes: Desde quando ele começou sua carreira as utopias e a realidade do amor estão presentes na forma cinematográfica de filosofar o seu cinema alemão. Em Tykwer, “o amor e suas dificuldades” se desdobram em lembranças, desejos e fracassos. 

Corra Lola, Corra*:

Berlin. Agora. Um dia de verão e pouquíssimo tempo para se decidir entre o amor, a vida e a morte. Lola (Franka Potente) e Manni (Moritz Bleibtreu) formam um jovem casal apaixonado. Manni trabalha para a máfia local. Certo dia, fica encarregado de transportar um saco plástico com 100 mil marcos, mas enquanto tenta escapar de fiscais numa estação do metrô, Manni esquece o dinheiro. Seu chefe (Heino Ferch) dá a Manni apenas 20 minutos para que ele recupere o dinheiro, caso contrário ele morre. 

Desesperado, Manni liga para Lola. O que ele deve fazer?

No cérebro de Lola tudo se passa em segundos: 20 minutos para conseguir 100.000 marcos. 20 minutos para salvar a vida de seu namorado. Então Lola tem uma idéia e sai correndo pelas ruas de Berlin. Lola corre, e como corre. Pela sua vida, pela vida de Manni, pelo seu amor. Ela sabe que de alguma forma, seja onde for, precisa conseguir o dinheiro.

Enquanto Lola pede ajuda a seu pai (Herbert Knaup), um diretor de banco, Manni perde o controle e vê no roubo a um supermecado sua única chance de salvação. Quando Lola chega, já é tarde. Primeiro ela hesita, em seguida o ajuda no assalto. Mas quando tentam fugir com o dnheiro a polícia aparece e os cercam por todos os lados.

Então o que parecia ser o fim é apenas o início da aventura. O filme explode em uma apaixonada, imprevisível e fascinante história sobre o amor e os momentos únicos que a vida pode mudar para sempre, pois às vezes, há apenas alguns minutos para nos decidirmos sobre a vida e a morte.
Com uma trilha sonora atual e empolgante, aliada ao ritmo da metrópole, Corra Lola corra comemora o triunfo do amor, que recupera o sensacional prazer pela vida do final dos anos 90. *Texto do blog cultura alemã (http://culturalema.wordpress.com)

Corra Lola Corra
Quando: Domingo, dia 29, 16h30
Onde: CCBNB Sousa
Entrada Gratuita

01 janeiro 2012

Interior mostrou talento na produção de curtas em 2011


A força do interior. Este é o grande destaque da produção cinematográfica deste ano na Paraíba. É o que apontam o fotógrafo João Carlos Beltrão e o cineasta Ely Marques. No balanço retrospectivo do ano, outro aspecto lembrado é quantidade e a qualidade das produções locais.
“Esse ano, embora eu não tenha dados para te falar, creio que chegamos a bater recordes”, avaliou Ely. “Isto é devido ao acesso aos meios de produção, claro, mas também revela uma vocação da nossa cultura”. João Carlos Beltrão, por sua vez, destaca  a Filmes a Granel, cooperativa de cineastas associados, como um ponto de apoio expressivo nesta produção.

“Temos que destacar a produção capilarizada do interior que chega, pari passu com a produção de João Pessoa e Campina Grande, tanto em quantidade como em qualidade. Deu para perceber, claramente, um salto de qualidade técnica nestas produções”, pontua o fotógrafo. “Um bom apoio para estas produções foi o projeto do governo federal ‘Revelando os Brasis’, além dos editais de micro projetos”. Ely destaca ainda as oficinas que vem sendo realizadas pelo interior, a exemplo do projeto Viação Paraíba, desenvolvido pelo cineasta Torquat o Joel.

Dentre as produções citadas, destaque para os longas: Baptista Virou Máquina, de Carlos Dowling, cuja trilha sonora rendeu um disco homônimo da banda Burro Morto, Luzeiro Volante, do poeta e ator Tavinho Teixeira, e Onde Borges Tudo Vê, de Taciano Valério, de Campina Grande.
Dentre os curtas-metragens, os citados foram A Felicidade dos Peixes, de Arthur Lins, de João Pessoa; O Hóspede, de Anacã Agra e Ramon Porto, de Campina; Irmãs, de Gian Orsini, de JP; Travessia, Kennel Rógis, de Coremas; Metafísica, de Eduardo Gomes, de Dona Inês; Olhar Particular, de Paulo Roberto, de Nazarezinho; e Hoje Tem Espetáculo?, de Leandro Alves, de Campina.

“Uma produção que tem sido premiada e circulado em festivais importantes, em janelas internacionais”, observa Beltrão. Apesar disso, o ano também foi marcado pela movimentação dos cineastas por mais verbas nos editais e locais para exibições ordinárias dos filmes, fora do ambiente dos festivais.

Astier Basílio
fonte: http://m.correio10.com.br/noticia/12556/interior-mostrou-talento-na-producao-de-curtas-em-2011 

28 dezembro 2011

28 de Dezembro, dia mundial do cinema

Os Irmãos Lumière, e a invenção do cinema

 
“Em 1895, concretiza-se um dos maiores sonhos da Humanidade. O ser humano e seu “alter ego cronofotográfico” encontram-se frente a frente, um sentado na poltrona de uma sala escura, o outro movendo-se numa tela, embora ainda mudo. Como se um olho cujas pálpebras viessem se abrindo lentamente, durante séculos, agora se arregalasse para o mundo. Um olho dotado de superior acuidade, não apenas capaz de apreender a vida em seus mínimos detalhes – o que Marey e Edison já sabiam fazer há algum tempo – mas sobretudo de projetá-la numa tela. Inicialmente “Edison contentava-se com o tilintar das moedas. Ele jamais deu muita importância ao último “acréscimo” técnico, que, segundo suas próprias palavras, mataria “a galinha dos ovos de ouro” - isto é, o Quinetoscópio a tostão.
Demeny e outros também se debruçaram nessa questão, sem resultados decisivos. Somente Reynaud, com suas tiras perfuradas e pintadas à mão, havia conseguido projetar cenas longas e animadas”. Laurent Mannoni, A Grande Arte da Luz e da Sombra, página 405. Essa projeção foi feita através do Cinematógrafo, um aparelho registrado na história como o equipamento que pela primeira vez fez uma projeção de fotografias por transparência.
Nasceu assim oficialmente o cinema em Paris, no dia 28 de dezembro de 1895, no Grande Café, situado no Bulevar dos Capucinos, número 14. A data está registrada por uma placa onde se lê: “Aqui em 28 de dezembro de 1895 teve lugar a primeira projeção pública de fotografias animadas”.

É muito raro que uma invenção brote de repente de forma definida. O nascimento do cinema, que a tradição historiográfica identifica como a soirée Lumière no Grand Café do Boulevard des Capucines, a 28 de dezembro de 1895, é, na realidade o resultado de uma série de pesquisas e técnicas convergentes que vêm de muito antes do físico belga Joseph Plateau,(1) do “Revolver Fotográfico” de Jules Janssen, da “Metralhadora Fotográfica” do Dr. Etienne-Jules Marey, do Fonoscópio de Demeny, do Teatro Óptico de Emille Raymaud na França; do Quinetoscópio (2) de Edison na América; de Friese Greene na Grã-Bretanha, de Skladanowski na Alemanha e de outros que tiveram menos notoriedade.
Vem também do inglês Richard L. Maldox que formulou a emulsão fotográfica seca, da emulsão fotográfica ortocromática desenvolvida pelo professor Hermann Wilhem Vogel em Berlim, de Hannibal Goodwin na América, que criou uma película flexível de nitrato de celulose batizado como filme e da evolução das objetivas desde a idade média. Foi da somatória dessas invenções, que fizeram sucesso cada um no seu tempo, e a persistente vontade dos Lumière em criar um aparelho que captasse imagens reais, que nasceu o Cinematógrafo, o aparelho que deu início ao cinema como até hoje é visto e assistido.

Inventivos e persistentes perseguidores da fotografia em movimento desde a adolescência, os industriais e fotógrafos, irmãos Lumière não só criaram a Câmera de Filmar como também uma forma de transformá-la em um aparelho capaz de projetar as imagens filmadas por ela. E “esta reversibilidade do mesmo aparelho, foi um dos fatores que permitiram o seu sucesso” Guy Fihman, A Magia da Imagem, pg 47 O Cinematógrafo era Lanterna Mágica e Câmera Fotográfica.
Mais não se pode negar que de todas as invenções que antecederam e influenciaram os Lumière na criação do Cinematógrafo, foi o Quinetoscópio de Thomas Edson a que mais estimulou os irmãos Auguste e Louis. Porém no Quinetóscopio uma coisa não os satisfazia. As fotos que reproduziam movimentos só podiam ser vistas por uma só pessoa, com um olho só, através de um orifício com uma lente para ampliar as imagens.
Achavam exagerado uma máquina tão grande só servir para um só espectador. (“Edson com o Quinetoscópio preferiu tirar proveito da curiosidade dos “voyeurs” fazendo-os pagar um a um.
O raciocínio não estava errado, já que o Quinetoscópio lhe proporcionou uma bela fortuna” Laurent Mannoni, A Magia da Imagem, pagina 161) e começaram a imaginar um aparelho que dentro de um salão projetasse imagens para muita gente ao mesmo tempo, como já era feito pelo “Teatro Óptico” de Èmile Reynaud, em 1889, um verdadeiro espetáculo, que atraía multidões no Museu Grévin, em Paris, projetando imagens pintadas à mão em tiras flexíveis de papel perfurado, capazes de reproduzir movimentos com precisão quase exata, mais não momentos da vida real, que era uma obsessão dos Lumière, principalmente Louis, que aos dezesseis anos, ao fotografar o mar, se sentiu frustrado com a fotografia não reproduzir as ondas com seu movimento real.

Teatro Óptico de Émile Reynaud
Com seu mecânico Chales Moison, fabricaram o “Aparelho de Cronofotografia” (um derivante do Quinetoscópio de Edson) com intenção de projetar imagens onde 12 fotos fixadas numa fina fita de papel reproduziam movimentos.

Em setembro de 1894 quando fizeram a primeira projeção constataram que a fita de papel que eles usaram como suporte para as fotografias, se esgarçava, se rompia e a projeção além de não ter boa transparência, as imagens não eram nítidas.
Tentaram depois a mesma experiência numa fita de tecido produzido na própria fábrica de produtos fotográficos Lumière. Mas a fita de tecido, também tinha pouca transparência, pouca nitidez, a emulsão fotográfica não se fixava bem no tecido e resistiu somente a cinco projeções.

Notaram que nas duas tentativas em papel e em tecido, no arrastamento das fitas por fricção entre dois rolos, os fotogramas na projeção não caíam no mesmo lugar e cintilavam. Durante a exibição deduzem que precisam de uma fita que além de forte para não se romper durante as filmagens e projeção, pudesse ser tratada de forma que o tempo não apagasse as imagens. Abandonaram o projeto do projetor.

Como fotógrafos priorizaram construir um aparelho capaz de fotografar 16 quadros por segundo. Que puxasse uma película, deixasse essa película parada para ser exposta como numa fotografia comum, puxasse novamente a película, deixasse parada novamente, intermitentemente.Precisavam de um mecanismo que fizesse essa operação de puxar, parar e puxar de novo, tanto na filmagem, como na projeção.

Louis imaginou um mecanismo vendo por acaso uma funcionária da fabrica trabalhar com uma máquina de costura. Observando que o tecido parava quando a agulha penetrava no tecido, e quando a agulha saia o tecido andava, teve a idéia de fazer um dispositivo que fizesse com o filme o mesmo movimento. Junto com o irmão Auguste criou uma câmera fotográfica adaptada com uma manivela que acionava uma biela (hoje chamada grifa) constituída de duas garras. Esta manivela estava presa a uma roda grande dentada. Quando o operador girava a manivela, a roda grande acionava a roda menor e esta fazia a grifa puxar o filme. Ao mesmo tempo um eixo também ligado à manivela, abria um obturador no tempo certo para a exposição da película, enquanto a grifa buscava novo fotograma.

Previram que a fita deveria ser transparente, flexível e forte para não se romper durante a projeção, (para isso, a fita precisava também de uma folga para não se romper quando parava para ser exposta) que tivesse aderência para nela ser colocada uma emulsão fotográfica, que devia ser perfurada nos dois lados e arrastada entre rodas dentadas, pois só dessa forma teria um arrastamento absolutamente matemático.
Mas existiam outros problemas. O primeiro era encontrar uma película perfurada que resistisse às projeções e também ao tempo. Essa fita não existia na França.
As fitas de celulóide de 10 a 15 metros que precisavam, só eram encontradas na América, fabricadas pela New York Celluloíde Company.

Embora sendo muito perigosa pois entrava em combustão com enorme facilidade, eles notaram que era o suporte ideal para a emulsão fotográfica fabricada por eles e aceitaram o perigo como necessário para a realização do projeto. Mandaram para a América um funcionário com a missão de comprar a fita.

Em dezembro de 1894 um modelo do Cinematógrafo já estava pronto. Eles se colocaram na frente de sua fábrica e filmam o primeiro Sortie d’usine (saída da fabrica).
A filmagem foi feita sem que ninguém soubesse. Quando o portão se abriu e os operários começaram a sair, Louis girou com extrema regularidade a manivela do Cinematógrafo e rodou o primeiro filme da história do cinema mundial.

A exibição ocorreu sobre lençol branco estendido no meio da sala da casa dos Lumière. Estavam presentes Chales Moisson, mecânico da fábrica, Promio o jovem encarregado pela compra das fitas na América e amigos. Para esses, o convite do Antoine Loumière foi lacônico: - “Venham às dezenove horas. Uma surpresa os aguarda.”
Depois dessa filmagem e dessa projeção, outras saídas da fábrica foram feitas.
Em 13 de fevereiro de 1895 foi registrada a patente da invenção.

Em 22 de março, o aparelho é apresentado à Sociedade de Incentivo a Indústria Nacional, da França. Nessa ocasião o Louis fez uma conferência sobre os produtos industriais da Sociedade Anônima de Chapas Lumière, onde exibiu chapas fotográficas positivas e chapas colorizadas pelo método Lippmann.e projetou uma cena das mais curiosas: operários saindo da fábrica na hora do jantar. A cena, que não durou mais de um minuto, tinha cerca de 800 imagens sucessivas; havia de tudo nela: um cachorro indo e vindo, ciclistas, cavalos, um coche em acelerado trote, etc.”

Este pedaço da vida cotidiana, “essa representação do real” tão cheia de animação, foi a pedido, exibida muita e muitas vezes. Ninguém na Europa nem nos Estados Unidos havia conseguido o intento com tamanha eficiência antes dessa sessão histórica de 22 de marco de 1895.” Laurent Mannoni, A Grande Arte da Luz e da Sombra, página 414
Em 30 de março é feito o registro de modificações e melhoramentos já com a palavra Cinematógrafo.

Pouco mais de dois meses depois, a 10 de junho, em Lyon, num congresso da Société Française de Photographie, o impacto é bastante maior. Na véspera os participantes tinham sido filmados num passeio de barco. E foi isso que eles viram depois na projeção. Entre as pessoas que se moviam na tela havia dois congressistas importantes: o astrônomo Jules Janssen falando com o presidente do congresso. Tratava-se do primeiro efeito mediático produzido por uma máquina de filmar. Na projeção, ambos se esconderam por trás da tela, reproduzindo a conversa em voz alta. Seria também a primeira dublagem da história do cinema.

Em 22 de setembro o cinematógrafo foi apresentado para cento e cinqüenta convidados. O evento aconteceu na Société d’Encouragement pour I’Industrie Nationale
Em 28 de dezembro, aconteceu a primeira grande exibição pública no Salão Indiano do GRAND CAFÉ no bulevar Capucines, número 14

A projeção começa com uma imagem fixa. Um espectador manifesta seu mau humor: - “Outra vez a lanterna mágica!”. Moisson gira a manivela. A imagem anima-se. Dez filmes foram projetados nesse dia.
Nesse primeiro dia de exibição foram arrecadados 35 francos, com 35 espectadores assistindo dez pequenas fitas de 16 metros cada uma.

Nessa primeira sessão paga, entre a série de filmes exibidos, o primeiro foi novamente “La Sortie des Usines Lumière” (Saída das Fábricas Lumière). No grupo dos filmes dessa sessão mostrou-se também a primeira comédia da história, “L’Arroseur Arrosé” (O Regador Regado), a primeira cena familiar, “Le Deujeuner du Bebé” (O Almoço do Bebê) e “L’Arrivée du Train em Gare” (A chegada do Comboio à Estação). Neste último filme de alguns segundos de duração, via-se um trem vindo em direção à câmera, parando e a descida dos passageiros. Tal foi o susto dos espectadores dessa primeira sessão ao verem um trem vir em direção a eles, que se instalou o pânico. Levantaram-se aos gritos e desviaram-se do caminho, com medo que o trem lhes passasse por cima.

A fotografia desses filmes era de uma nitidez surpreendente.

Câmera de Lumière e cena da Saída da Usina
Os historiadores Martin Loiperdinger e Roland Cosandey descobriram uma carta datada de 16 de abril de 1896 e escrita por Ludwig Stollwerck, antigo sócio alemão de George Demeny, na qual ele descreve uma visita sua, ao Grand Café:
“Nesse espaço de 12 por 8 m, eles projetam dez vistas diferentes a cada quarto de hora, cada qual com duração de cinqüenta a sessenta segundos, sobre uma parede de 2,80 de largura por 2 m de altura. O ingresso custa 1 franco, há cento e oitenta lugares e cerca de trinta a quarenta espectadores em pé.” Laurent Mannoni, A Grande Arte da Luz e da Sombra, capítulo 5, página 446
O êxito conseguido em Paris foi muito rápido e levou os irmãos Lumière a abrir outras salas nas grandes cidades francesas e também no exterior.
Em 17 de fevereiro 1896, Londres recebeu o cinema. Depois, Bruxelas, Berlim, Nova York.
Durante muito tempo funcionários dos Lumière com as funções de operadores e vendedores, andaram pelo mundo propagando e vendendo as câmeras, filmando, revelando, copiando os filmes feitos durante o dia para exibirem imediatamente nos palcos de teatro e outros espaços de diversões, durante a noite. Através de seu aparelho desempenharam um papel muito importante para o início de um dos maiores meios de comunicação, cultura e diversão do mundo.
1 - No ano de 1829 o físico belga Joseph Plateau afirmava que uma imagem luminosa persiste na retina mesmo quando deixa de ser vista durante 1/45 de segundos. E que para o cérebro, imagens repetidas a um ritmo “superior a doze por segundos” passam a impressão de que se sucedem ininterruptamente.
2 –. O primeiro quinetoscópio (Kenetoscope) foi inaugurado na Broadway a 14 de abril de1894 com filmes rodados em película de 35mm. O aparelho era uma caixa com 1 metro e vinte e três centímetros de altura, olhava-se para dentro através de uma abertura feita na parte de cima. Uma lente ampliava as imagens do filme com comprimento de 15 metros, que se desenrolava de modo contínuo em forma de inta.
(Kenetoscope)
O quinetoscópio Edison. A porta lateral aparece aberta para mostrar o mecanismo interno. Em funcionamento normal, a porta permanece fechada.
Com todo equipamento pesava 75 quilos aproximadamente
3 – “Lanterna Mágica era, na realidade, uma máquina simples, uma espécie de pequena caixa munida de uma fonte de luz, um espelho côncavo posterior e um sistema de lentes que permitia projetar sobre uma superfície branca as imagens ampliadas de vidros pintados com cores transparentes”.

Bibliografia
O Cinema, Invenção do Século - Emmanuelle Toulet
Os Irmãos Lunière, A invenção do cinema – Jacques Rittaud-Hutinet
A Magia da Imagem – Coordenação José de Monterroso Teixeira
A Grande Arte da Luz e da Sombra. – Laurent Mannoni
Waldemar Lima
Diretor de Fotografia – ABC

fonte: http://www.luzcamera.com.br/?p=106