09 julho 2010

Cineclube conduz debate sobre cinema no IFPB

O Cineclube Walter Carvalho esteve presente na noite deste dia 08 de julho nas dependências do IFPB(antiga Escola Agrotécnica Federal de Sousa) onde acontecem mensalmente exibições de filmes de longa-metragem,através do Programa Arte Retirante do Centro Cultural Banco do Nordeste Sousa. Nesta oportunidade a exibição foi composta de dois trabalhos clássicos do curta-metragem brasileiro e uma produção, também em curta-metragem, sertaneja desde o tema até a direção.


A sessão começou com a exibição do documentário “Lá Traz da Serra” realizado em Nazarezinho-PB pelo estreante diretor Paulo Roberto (cria de Torquato Joel), que é natural do Rio de Janeiro, mas que desde 1994 reside no sertão paraibano. O filme registra a saga do Sr. Antonio de Epitácio, que vive com sua família, há 23 anos isolado na Serra de Catarina, localizada no município de Nazarezinho, sem qualquer assistência publico - institucional.

“Lá Traz da Serra” tem ganhado uma das melhores, senão, a melhor repercussão - em Festivais de Cinema - das últimas produções realizadas pelos novos cineastas da região polarizada por Sousa, que incluem Laércio Ferreira(“O Apostolo do Sertão” e “Memória Bendita”), João Martins(Dificunópolis), Leonardo Alves(“Manoel Inácio e a música do começo do mundo”). “Lá Traz da Serra” rendeu a Paulo Roberto o Troféu Aruanda de Melhor Roteiro no FestAruanda 2009 e levou o nome de Nazarezinho para as listas de produções paraibanas de cinema, habitualmente, concentradas em João Pessoa e Campina Grande.

Sob a produção do Cineclube Walter Carvalho, o cardápio de cinema que foi levado. na noite de ontem, aos estudantes - que são residentes em São Gonçalo – também incluiu o curta-metragem que é a maior referencia de todo o Brasil no formato: o filme ILHA DAS FLORES, do roteirista e diretor gaúcho Jorge Furtado(direção:“Saneamento Básico”, “O Homem que Copiava”, “Meu Tio matou um cara”, roteiro:“Lisbela e o Prisioneiro”).

Com uma abordagem ácida, séria e bem-humorada sobre consumismo, pobreza e lixo, o filme traça o caminho de um tomate que é colocado à venda num supermercado, apodrece e segue até seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. Isto para deixar clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos. Por onde passa é um filme digno de muitos elogios. Na noite de ontem não foi diferente no IFPB.

Por fim, foi exibido uma produção paraibana de 1960. E vale lembrar que trata-se de mais um curta que marcou história no cinema brasileiro: Aruanda.

Dirigido por Linduarte Noronha, e produzido na mesma época da fundação de Brasília, foi o primeiro trabalho que levou a imagem de um Nordeste abandonado pelas políticas publicas brasileiras aos públicos paulista e carioca, o que provocou um choque de realidade – de abandono - imediato. Pela sua importância Aruanda é tido como um dos marcos iniciais do movimento chamado Cinema Novo que foi liderado pelo baiano Glauber Rocha.

Para fim de conversa, devo lembrar que “Aruanda” e “Ilha das Flores” foram selecionados pelo festival É Tudo Verdade, especializado em documentário, como dois dos quatro mais importantes clássicos do nosso cinema tupiniquim(que completa-se com MATO ELES? De Sérgio Bianchi e VIRAMUNDO de Geraldo Sarno). O que serve de certificado de garantia de que os alunos do IFPB podem bater no peito, sem frescura, e dizer que estão em dia com o que há de mais clássico na cena documental de nossa sétima arte curta-metragista.

Sérgio Silveira
Cineclube Walter Carvalho.

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